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Considerado um dos escritores de geração de 30, que destacavam com ‘cor local’ situações socioeconômicas da região nordestina, José Lins do Rego conseguiu descrever com um estilo autêntico a decadência de engenho de cana-de-açúcar. Com intenção de denúncia social através das obras, o objeto de foco narrativo concentrava-se, em seus primeiros romances, em descrever cenários onde aconteciam miséria e fome. O resultado era uma descrição paisagística. Entretanto, a sua tática narrativa muda paulatinamente ao longo da vida como escritor. Especialmente em Fogo Morto, o romancista açucareiro muda efetivamente, de cenário para personagem, seu foco narrativo. E, ao mesmo tempo, utilizando várias técnicas ficcionais, consegue mostrar implicitamente significados da obra, o que é um exemplar de um relacionamento orgânico entre a forma e o conteúdo. Análise dos personagens principais como o mestre José Amaro e o coronel Lula de Holanda, possibilita mostrar como o escritor paraibano consegue garantir a visão objetiva, obtida através de multifocalização e polifonia com distribuição equilibrada de pontos de vista. As duas personagens socioeconomicamente opostas, um trabalhador agregado e outro coronel fazendeiro, um ameaçado e outro ameaçador, são existencialmente da mesma condição humana. Ambas são na verdade vítimas do próprio destino. Repetição como forma contém funções peculiares no romance. Repetindo frases ou temas, o escritor intenciona destacar importância de determinados símbolos. Repetindo o tema de loucura, aparecida tanto na família do agregado quanto na família do fazendeiro, mostra que o problema vem da falta de comunicação. As duas personagens de classes distintamente opostas, porém existencialmente iguais, superam o ponto de vista dicotômico como explorador e explorado. Ênfase em ápice do engenho Santa Fé dramatiza sua decadência com repetição de olhar em ‘1850’. Isso através de vários olhares de diferentes personagens. Trata-se de uma voz de discurso, isto é, a escritura de relatividade pela qual o escritor tenta chamar leitores no processo criativo de interpretação.